Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Os "boys laranja" não aprendem!

Em 2002, após as correspondentes eleições legislativas, surgiu o XVI Governo Constitucional liderado por Paulo Portas… perdão, por Durão Barroso. Sob a veste de “D. Sebastião” a nova AD surgia para revolucionar o país, implementando políticas quiméricas que colocariam Portugal num caminho triunfador.
Depois de uma estranha fuga, de muito défice e de umas vergonhosas indigitações o XVI Governo terminou e para a história ficou um enorme rol de trapalhadas.
Contudo, em época de “vamos apertar o cinto, mas aperta-o tu!”, muitos foram os que, assessorando tudo e mais alguma coisa (incluindo outros que também já assessoravam), conseguiram encontrar a base do arco-íris e o correspondente pote de ouro. Os boys laranja regozijavam-se de tão próspera época na nossa “Kapital”.

Mas, esse não era o panorama nacional. O défice, o tal que diminuía, estava de facto a aumentar! … Aqueles que não tinham o curso de Assessor (tirado na Rua de São Caetano) viam o desemprego a aumentar, a inflação a aumentar, a desigualdade social a aumentar e o dinheiro a diminuir. De facto a taxa de desemprego, que se vinha conhecendo estável até então, entrou numa linha irreconhecivelmente ascendente.


Quando o XVII Governo Constitucional surge o país estava desorientado. O défice não era o que se publicitava e a despesa pública agigantava-se. Portugal precisava urgentemente de um rumo. José Sócrates assume o desafio de reorientar Portugal e, não olhando a calendários políticos, inicia rapidamente os cortes na despesa pública. Começa, de forma inédita, pelos seus: os políticos (profissionais ou não) vêm muitas das suas regalias cortadas. Tinha chegado a hora de falar sério.

Ora, aparentemente o tal fantástico curso de Assessor deixou de ter saídas profissionais e os boys laranja, que tão afincadamente tinham estudado a lição, ficaram sem o pote de ouro. Desesperados viram-se agora para José Sócrates. Com ar de quem não recebeu o presente de Natal que gostava, pedem um emprego ao Primeiro-Ministro. Será que ainda ninguém os avisou que agora são iguais aos comuns mortais?



Podíamos ensinar-lhes que as políticas económicas não têm efeito imediato, e que o que acontece neste ciclo económico é ainda influenciado pelo anterior, isto é, o desastroso ano de 2004 ainda se reflecte em 2005. Podíamos também citar o Instituto Nacional de Estatística “a taxa de desemprego estimada para o 2º semestre de 2005 foi de 7,2% o que traduz um decréscimo de 0,3% face ao trimestre anterior” demonstrando que estas políticas estão no caminho certo. Mas, provavelmente, os tais boys (tal como os seu graúdos) não devem querer aprender!