Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

O povo não quis Soares


Declaração do Dr. Mário Soares lida ontem à noite no Hotel Altis, em Lisboa:

1. O Povo votou e expressou a sua vontade. Como sempre, respeito em absoluto a vontade popular traduzida pelo voto.

2. Os resultados foram contrários às minhas expectativas: o Dr. Cavaco Silva obteve, à primeira volta, a maioria absoluta.

3. Assumo a derrota, com o sentimento do dever cumprido, fair play democrático e o sentido das responsabilidades.

4. Resta-me felicitar o Dr. Cavaco Silva e desejar-lhe êxito no exercício da sua alta Magistratura. Para bem de Portugal.

5. Quero ainda agradecer a todos os que me apoiaram e em mim votaram. Aos dirigentes, parlamentares, militantes e eleitores do PS e, ao seu secretário-geral, José Sócrates, fraternalmente. Mas também aos inúmeros independentes e destacados membros de outros partidos que corajosamente me apoiaram.

6. Fiz uma campanha de proximidade com o Povo, a que pertenço. Tive também apoios altamente significativos em todos os sectores da vida nacional: figuras relevantes da Ciência, da Cultura, das Artes, das Letras, das Profissões Liberais, das Associações Sindicais e Empresariais.

7. Por isso, esta minha campanha marcará data e ficará – creio – como uma referência cívica para o futuro.

8. Foi uma campanha de muito alegria, participação e com a presença constante da Juventude, o MP 3. Agradeço especialmente a todos os jovens que me acompanharam.

9. Lançámos ideias novas e realizámos um combate cívico de que muito me honro, em defesa de grandes Causas e advertindo contra novos perigos.

10. Apesar da derrota sofrida – que não desejo minimizar, antes pelo contrário – essas ideias farão o seu caminho. Pelo que a vida me ensinou, este combate cívico não termina hoje. Em democracia, perdem-se e ganham-se eleições. É essa a regra do jogo. Mas – como sempre disse também - só é vencido quem desiste de lutar. Eu, como mais uma vez demonstrei, não desisto de lutar.O meu empenhamento cívico ao serviço de Portugal e dos Portugueses será total como sempre foi.

Mário Soares