Ser-se de esquerda é... (por Sílvio Berlusconi)
O insólito poderia ter acontecido, este fim de semana, na televisão pública italiana (RAI). Tratando-se, porém, do magnata e, também, Primeiro-Ministro Italiano, só o mais incauto e desatento o poderia assim considerar.Desta feita, Sílvio Berlusconi deixou “plantada” a jornalista da RAI que o entrevistava no decurso da gravação de um programa. O motivo? A jornalista não o deixava responder ao que ele queria que lhe fosse perguntado. Alegando a sua diminuta aparição pública no pequeno-ecrã, o Primeiro-Ministro insistiu para que a entrevista fosse conduzida para a apresentação do seu programa eleitoral. Visivelmente incomodado com questões que o confrontaram com a recente demissão do seu Ministro da Saúde por alegada implicação num caso de espionagem política, ou das relações menos claras entre o Governo que lidera e a cadeia privada de televisão de que é proprietário, Berlusconi cumpriu a ameaça que fizera minutos antes e abandonou os estúdios, numa atitude de pura e reconhecida arrogância e autoritarismo.
Não se pense, contudo, que de inspirado episódio não se tenha podido aprender algo. Para quem ainda tem dúvidas sobre aquilo que diferencia a esquerda da direita, Berlusconi esclarece: a jornalista que o entrevistava «devia ter vergonha» pela forma como estava a conduzir o encontro e, mais tarde, elucidou: «… a senhora ilustrou bem como se comporta uma pessoa de esquerda».
Ao pedagogo Berlusconi, o nosso muito obrigado pela aclaração…

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