Sábado, Abril 22, 2006

Lei da paridade!


Na sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Coimbra que decorreu ontem, 21 de Abril, no Salão Nobre da Câmara Municipal, a Deputada da coligação "Todos por Coimbra" Maria Rana aprsentou uma Moção a condenar a recente Lei da Paridade aprovada na Assembleia da República, dizendo sentir-se humilhada com tal medida.

A jovem deputada do Partido Socialista Carla Violante pediu então a palavra:

"A Sra deputada Maria Rana disse, que não só que se sentia humilhada por esta medida de discriminação positiva, como tinha a certeza que qualquer mulher se sentiria.
Pois eu, como mulher, tenho a dizer que não me sinto minimamente humilhada por esta medida.

Eu sinto-me humilhada é por viver num país onde este tipo de medidas ainda são necessárias.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que as mulheres continuam a ser discriminadas no acesso aos cargos de poder.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país onde as mulheres continuam a trabalhar em média mais 2 horas por dia do que os homens.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que as mulheres continuam a sofrer desigualdade salarial, recebendo menos nos mesmos postos de trabalho do que os homens.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que as mulheres continuam a não ocupar cargos de chefia, quer no sector privado quer na administração pública central.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que as mulheres continuam a ter de preencher questionários, em entrevistas de emprego, atentatórios à sua dignidade, em que lhes é perguntado não só se estão grávidas, mas qaundo pensam estar, se têm namorado, noivo, etc.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que as mulheres são preteridas para empregos em que os admitidos são homens, menos qualificados, mas homens.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que há mulheres, a trabalhar em fábricas, em que o seu picar o ponto é terem de tomar a pílula no gabinete do patrão todos os dias de manhã.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que a violência doméstica é a primeira causa de morte entre as mulheres entre os 19 e 44 anos.
Eu sinto-me humilhada é por viver num país em que não vi durante muito tempo vontade nem medidas políticas para intervir nestas matérias.

A Igualdade de Oportunidades entre homens e mulheres, bem como a participação política das mulheres, são questões que devem dizer respeito a todos. São, por tudo o que acabei de dizer e muito mais, questões políticas mas também de cidadania e acima de tudo de direitos humanos.
Os países que gostamos de citar como exemplos de democracias e sociedades de excelência, como os nórdicos e nomeadamente a Filândia, há muito que seguiram o caminho da discriminação positiva, das quotas, com resultados inequivocos e duradouros.
É fácil e até politicamente correcto dizermo-nos contra as quotas. Mas o que devemos então fazer para que estes problemas sejam resolvidos, para que as mulheres estejam e se sintam representadas nos centros de decisão? Ter fé? Esperar?
Os diferentes papéis sociais desempenhados na nossa sociedade por mulheres e homens não são mais do que a dimensão comportamental e funcional dos esteriótipos tão profundamente enraizados nesta mesma sociedade. E isso não mudou até agora.

Esperámos 30 anos. 30 anos de democracia em que esperámos passivamnete que as coisas mudassem por si. Estamos dispostos a esperar mais 30? Sem actuar? Apenas com fé de que um dia as coisas mudem naturalmente?"

Fazemos nossas as tuas palavras Carla!