A cabala

O dirigente de extrema-direita Mário Machado, detido terça-feira por posse de armas ilegais na sequência de uma reportagem na RTP, considerou-se hoje um "preso político" cujo único crime "é ser nacionalista num Estado opressor socialista", dirigido por um "Governo fantoche nas mãos de accionistas".
Mário Machado surgiu terça-feira numa reportagem da RTP na qual fazia a apologia dos ideais de extrema-direita e ostentava uma espingarda caçadeira semi-automática de oito tiros, que alegou ser legal.
Na mesma reportagem, o dirigente da Frente Nacional afirmou que vários outros simpatizantes da ideologia possuem o mesmo tipo de armamento e que estão preparados para "tomar de assalto as ruas se for preciso".
Na tarde de terça-feira, a PSP apreendeu na casa do líder da Frente Nacional a caçadeira (que disse estar ilegal), um revólver irregular, uma besta e um aparelho de choques eléctricos, além de diversas munições, tudo proibido.
Mário Machado disse que, entre todo este material, "a única ilegal era o revólver" e que comprou em estabelecimentos comerciais a besta a o aparelho de choques.
Segurança de profissão, Mário Machado foi condenado em 1997 a uma pena de prisão de quatro anos e 3 meses por envolvimento na morte de Alcino Monteiro - crime de 1995, no Bairro Alto, que levou à condenação de 15 cabeças-rapadas.
Mário Machado está actualmente a ser julgado no Tribunal da Boa-Hora, Lisboa, por extorsão, dois crimes de sequestro e posse ilegal de armas.
Moral da história? É uma cabala contra estes senhores...

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