
Moção Sectorial, apresentada pelo camarada Humberto Coelho, ao XIV Congresso Nacional do Partido Socialista
Hoje, é já quase inevitável falar-se de blogues quando nos referimos ao debate político e, num sentido mais lato, à troca de ideias, impressões, relatos. Em Portugal, o fenómeno da blogosfera eclodiu há menos de dois anos. Desde então, blogues de todas as tendências surgiram. Citações de blogues apareceram frequentemente nos jornais, nas televisões e nas rádios. A própria Assembleia da República dispõe há já alguns meses de um sistema de blogues, através do qual abre mais um canal de comunicação entre os cidadãos e os seus representantes.
É muito comum encontrar textos bem fundamentados na blogosfera; muitas vezes, mais até do que alguns conceituados colunistas dos mass media, cuja capacidade de empreender uma reflexão séria e independente sobre os destinos do país tem vindo a decrescer.
É por demais evidente que, na blogosfera, o debate mesmo encontrou um novo sentido, uma outra interactividade. Encontrou, enfim, um cariz profundamente democrático.
Possibilidades
Os subscritores de presente documento entendem que o PS não deve ignorar as possibilidades que a blogosfera oferece.
Os blogues constituem uma forma de lutar contra a marginalização de que é alvo a mensagem política do PS, devido aos esforços de instrumentalização dos mass media que a direita tem frutuosamente levado a cabo.
Permitem também dar a conhecer problemas de origem local, sobretudo de meios mais pequenos e isolados (onde o acesso aos mass media é muito menor), independentemente da sua localização e – aspecto importante – através da experiência das pessoas directamente afectadas.
A própria qualidade do contributo que o PS deve dar ao desenvolvimento da sociedade portuguesa crescerá – um debate mais livre e intenso redundará em consensos mais sólidos e em propostas mais bem fundamentadas.
Medidas
Os subscritores acreditam que, tal como alguns partidos estrangeiros (nomeadamente o Partido Democrata, nos EUA), o PS deve adoptar uma atitude de maior abertura ao fenómeno da blogosfera e, em geral, apostar nas novas tecnologias. Tal não corresponderá, aliás, a mais do que à mera transposição para o plano partidário daquilo que o PS fez pela modernização tecnológica do país.
É necessário sensibilizar as estruturas do PS para o uso dos blogues (até atendendo ao reduzido custo que implicam), incluindo órgãos de âmbito nacional; por exemplo, um blogue seria um óptimo complemento ao site do Gabinete de Estudos (a) , que idealmente organizaria semanas temáticas com contributos diários, à imagem do que sucede com o excelente Fórum Cidade, blogue oficial da concelhia de Lisboa.
O website do PS deveria conter hiperligações para todos os blogues oficiais do PS e para blogues de militantes e simpatizantes socialistas. Deveria também seleccionar e publicar contributos provenientes destes blogues, não só no site mas também no Acção Socialista (nomeadamente reservando-lhes uma secção fixa), abrindo-se desta forma um canal de comunicação entre a comunidade blogger de tendência socialista e os militantes que não lêem blogues ou que nem sequer utilizam a Internet.
Conclusão
Renovação e preparação – tais são as palavras-chave que norteiam os subscritores deste despretensioso texto, o qual apenas pretende alertar o Partido para a emergência de um fenómeno de que se não pode afastar.
Um Partido vivo e preparado não pode ignorar os novos espaços de liberdade e de cidadania que a evolução tecnológica vai criando, lá onde militantes activos lutam diariamente para defender o Socialismo e a Democracia contra a deriva à direita que hoje, desgostosos, experimentamos. Entre aqueles militantes estão muitos jovens, que se sentem mais atraídos por este tipo de militância do que pela “estratégia de mercearia” assente exclusivamente em jogos de obtenção de cargos - desperdiçar toda essa energia e esse apego às ideias seria, para o Partido Socialista que perspectivamos, um erro crasso.
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(a) O Gabinete deve ganhar o estatuto de pedra fulcral do partido. Deve publicar frequentemente, em suportes digital e em papel, estudos detalhados sobre as áreas prioritárias para o país. Deve assessorar permanentemente os corpos dirigentes do Partido e esboçar, sob a orientação dos mesmos, medidas concretas de política económica (por exemplo) e avaliar as suas possíveis consequências. Deve, também, realizar estudos comparativos, no sentido de aferir da exequibilidade em Portugal de medidas tomadas noutros países, porque numa economia global as boas práticas são comuns. Idealmente, este Gabinete possuiria uma pequena equipa de investigadores a tempo integral e continuaria a contar, como ocorre hoje, com o contributo de especialistas das mais variadas áreas.