A Democracia e a Bola

As últimas eleições presidenciais são um excelente pretexto para pensarmos numa série de coisas. De um lado Manuel Alegre, a diabolização dos partidos e dos “aparelhos”. Uma espécie de Grito de Ipiranga que, embora peque por tardio, tem a virtude de alertar, principalmente os responsáveis partidários, para a necessidade de conformar discurso e práticas com os padrões mínimos exigíveis a quem se dedica à gestão da coisa pública. Por outro, Mário Soares. Incansável. Superando-se a si próprio. Acredito que verdadeiramente preocupado em não permitir que o discurso do seu compagnon de route, dê lugar à generalização de que a política é uma actividade suja e de que precisamos de um Messias imaculado para nos arrumar a casa. Este seria o pior dos cenários.
Sinto-me tentado a dizer que “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. Nem os políticos serão irremediavelmente desonestos e oportunistas. Nem serão todos virgens imaculadas. É de homens e mulheres de carne e osso que falamos. E, por isso, não é possível escrever a história como se de um romance se tratasse.
Agora, tenho a noção de que há muito por fazer. A honestidade e a cultura democrática são para muito boa gente clichés anacrónicos. Não percebem que sem lei e sem regras mergulharíamos todos na mais funda das injustiças. Põem em causa a lei como quem discute um penalty do Benfica. Mas não percebem que, por mais que esperneiem, estão apenas a gozar os últimos minutos de compensação…Disse.
Paulo Valério
Secretário Nacional da Juventude Socialista
Militante da Concelhia de Coimbra da JS












