
No marasmo social que tem vindo a assolar a política Ocidental (principalmente a Europeia) nos últimos anos, a França volta a estar na boca do mundo e volta a dar importância a luta social e política. Quando a Europa se congratula da implantação da democracia e da pluralidade de ideais, surge uma séria ameaça à liberdade e à discussão social, encabeçada pelo 1º Ministro Francês Dominique Villepin. Este contra todos cria no seu gabinete e com o seu staff (deixando de parte o seu governo) a legislação do Contrato de Primeiro Emprego, esquecendo totalmente o diálogo com os seus intervenientes.
A questão essencial é, claramente, o indício de totalitarismo político evidenciado por Villepin, e não o CPE em si, apesar das variadíssimas falhas do mesmo. O staff do 1º Ministro Francês criou uma legislação com base em números e em gráficos, esquecendo a análise da situação na realidade, esquecendo a sua aplicação prática, esquecendo as pessoas. Este governo de maioria de direita, passou então ao lado da discussão em praça pública, de algo que afecta os jovens e os coloca numa situação de insegurança e precariedade de emprego, agravando a sua já difícil situação.
Esta visão estritamente técnica da sociedade e a aplicação à “força” de políticas e leis, é um erro que já foi previsto várias vezes por filósofos economistas e sociólogos ao longo dos últimos séculos, tendo como resultado a ruptura da sociedade que não colocasse nas suas políticas as pessoas como principal vector, e parte integrante da criação das mesmas. È estranho num país tão evoluído socialmente, que o seu governante cometa o erro de abdicar da negociação e da discussão social.
Era tão óbvio o rebentar das águas e o renascimento da força estudantil, que parecia cair numa falta de credibilidade social preocupante, e isso Villepin sem querer fez bem. Este fim-de-semana parecia de novo que os jovens são o pêndulo da sociedade, vemos neles de novo uma força organizada e distanciamo-los dos grupos extremistas que teimam em tentar se associar a outras lutas tirando lhes por vezes o crédito merecido.
Villepin e o seu CPE pode vir a ser esquecido (que parece ser o que ele pretende) ou pode ser lembrado para sempre, depende tudo da utilização que os media lhe quiser dar, mas seja como for fica a nota para todos os governos e Democracias do Mundo. O poder democrático só é totalitarista nas pessoas, elas são o reflexo que um governo vê no espelho. Os jovens esses são normalmente apagados desse reflexo, e desta vez já racharam o espelho, e se o espelho partir são eles que o vão substituir.